Saltarico como o bilro sobre a almofada, porque as mãos do tempo não param.
Faço e refaço-me, sobre o papel desenhado, nos fios torcidos e entrançados que me subjugam em torno de alfinetes.
Por isso, quando me vejo, defino-me somente na orla reforçada por onde me prendem.
Esqueço-me que os outros me vêem e me sentem. Esqueço-me de tanta coisa, Deus meu!
Ontem, fizeram-me lembrar de quem me esqueci.
Ofereceram-me flores, num gesto doce e calmo e eu, eu chorei ao perceber que existo.
