sábado, 26 de abril de 2014

EM PASSOS MIÚDOS

















Cada dia é mais uma tela que me abraça e convida.
Traiçoeiros abraços e palavras que me conduzem a um campo vazio.
Porque estará vazio esse espaço-cenário para onde caminho?
Recorto-te com o olhar no horizonte, linha constante que me separa de mim...

O que haverá depois dessa abstração? 

E quem estará à minha espera no cenário... para além das árvores?





quarta-feira, 23 de abril de 2014

E







sei dos cavalos aprisionados nas cristas rendilhadas pelo desespero ácido

e
sei da alma esventrada da revolta dos que serram os punhos sem trabalho

e  
sei que perante 

os voos planados dos urubus 
o riso sarcástico das hienas
os insatisfeitos abutres
os ululantes chacais 


« há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz NÃO! »










segunda-feira, 21 de abril de 2014

PENsANDO








quando o sol caminha baixo
a roçar quase o luar
nem o mar nos beija
nem a terra nos quer








segunda-feira, 14 de abril de 2014

INSANIDADEs










cedo o pisão sedou o sorriso
no burel de quem acordou sem granizo




hoje por isso
na sede de um estar conciso
cedo ainda à tecelagem do siso

choro à margem do meu riso











segunda-feira, 7 de abril de 2014

NÓS













Desde que nos encontrámos numa rua qualquer do tempo, 
e foi há tantos anos,
olho-a como a outra metade de mim.
Uns dias sou eu que a destroço.
Outros é ela que me aniquila e consome...
como agora.





Desculpem não vos ter visitado, mas há uma semana que a crise se instalou e não há medicação que a vença.







segunda-feira, 31 de março de 2014

SEM TÍTULO












tantas vezes te vou buscar ao fundo dos tempos
quando dizias apenas "Ainda bem que vieste!"
olho-te agora na sombra do que foi tempo
nem meu nem teu
tempo somente



e sorrio docemente 
às rosas no chão